O tambor é ancestralidade

e ancestralidade é história.

 

Certo dia em aula de dança afro-brasileira mista com dança africana (da cultura Mandingue, do Oeste Africano) nós, alunas, fomos orientadas a cumprimentar o tambor quando passasse em frente dele na roda.

Encucada, ansiosa como sou já ia perguntar o porquê se deve cumprimentar o tambor, já esperando que a resposta girasse em torno de uma explicação cultural, espiritual, tradicional etc, mas percebi que é muito além disso, é consciência histórica e de respeito à natureza da qual é a fonte de inspiração pra celebrar a vida.

A mestre Juliana Ferraz em poucas palavras deixou explícito que o cumprimento ao tambor é respeito à vida. Pois a produção manual daquele tambor é feito de matéria-prima que contém vida, como a pele do animal extraída pra cobrir a madeira e a própria madeira que um dia foi árvore. Não é pouca coisa, esse ensinamento que se origina na cultura oral, nos apresenta a história, o respeito à vida e aponta a consciência do trabalho que possui um instrumento do qual extraímos música pra celebrar a vida, em outras palavras, nos ensina história à partir da ancestralidade africana.

 

 

Nesse sentido o tambor é ancestralidade e ancestralidade é história.

E pra celebrar a vida, pra nos lembrar que precisamos parar um pouco a correria pra brincar, ou como diz os capoeiristas, pra vadiar, viemos convidá-los pra segunda saída do Bloco Afro Sol de Mauá, no dia 25 desse mês e conhecer a proposta desse bloco.

Homenageando as mulheres negras guerreiras e rainhas africanas o bloco possui o objetivo de difundir a cultura afro-brasileira (inspirado no Ilê Ayê) à partir da percussão e da dança a fim de valorizar tais conhecimentos e ainda denunciar o racismo que invisibiliza nossas tradições e tecnologias de forma lúdica.

A saída do Bloco AfroSol também pretende possibilitar vivenciarmos essa experiência de forma coletiva tentando atingir aqueles que trabalham e não têm tempo pra dançar ou pra tocar algum instrumento além de outras dificuldades, chamando pra incorporar conosco com sua voz, com seu corpo ou seu instrumento pra somar.

O bloco Afro Sol é a continuidade da pesquisa e proporcionamento da vivência da ancestralidade à partir da dança e da percussão. Nesse sentido os participantes poderão vivenciar parte dos processos que fazem existir o conjunto “música e dança” da cultura afro-brasileira.

Na linha de frente da dança temos a mestre Juliana Ferraz e na percussão os mestres Emerson Queiroz e Raifah Monteiro comandando a batucada do ritmo do coração.

Simbora meu povo! É sábado dia 25, às 16h a concentração no centro de Mauá para a saída do Bloco Afro Sol. Até lá!

Traga seu instrumento e venha caracterizadx se puder com blusa branca, quem quiser dançar com saião rodado (florido se possível).

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Atua na coordenadoria da igualdade racial da prefeitura de Mauá, Graduada em Serviço Social pela Faculdade Mauá- FAMA. É integrante do grupo Kilombagem desde 2007. Realiza ações de combate ao racismo e machismo além de prestar consultoria à partir da temática de Gênero e é mc, já foi integrante da Banda Amandla e fundadora do Coletivo de Mulheres Mcs (Coletivo Mahins) e participações com Ba kimbuta, no álbum UPP. Atualmente integra o grupo de rap Clã dos Incardidus. Conhecida como Katiara ou Iara, é moradora da cidade de Mauá e é militante do movimento negro e hip hop desde 2006.