Nós do Kilombagem, viemos expressar que não somos adeptos ao linchamento público político, pois  não dialoga e não soma na luta.

Acreditamos que a luta contra o machismo deva ser uma tarefa de homens e mulheres. Sabemos que o patriarcado que ainda rege nossas relações é responsável pelos privilégios sociais masculinos, cotidianamente praticados, seja na violência doméstica e psicológica, seja nas relações de família.

Vivemos em momento da história onde a barbárie se coloca como um rolo compressor de nós mesmos, e retroalimentar as ideias da classe dominante, no enfrentamento ao machismo, é ceder ideologicamente às ideias da classe dominante.

Não acreditamos que o combate ao machismo e suas violência correlatas se dará pela separação total e imediata entre homens e mulheres, para nós do kilombagem os homens precisam entender que o machismo é um problema da humanidade, sendo assim, é um problema dos homens também.

Acreditamos que uma possível sociedade emancipada deva comportar homens e mulheres. Acreditamos também que para uma possível mudança nas relações sociais entre homens e mulheres, será necessário que os homens apreendam o significado e o peso do machismo no cotidiano de vida das mulheres, e se coloquem em luta para transformação dessas relações. Por isso é importante nos atermos para forma constante da interpretação dos fenômenos virar uma análise final de fatos, e serem reiterados na utilização interpretativa sem que haja mediação com as particularidades da realidade.

A nós, pretas e preto, pobres, da classe trabalhadora mais explorada, mais encarcerada, mais morta pela policia, pelo SUS, pela previdência, nos resta criar mecanismos de luta e unificação, mesmo diante de todos o limites colocados pela história. Precisaremos criar mecanismos de luta e resistência não segregacionistas, pois, a fragmentação ideológica só é boa para burguesia, essa elite senhorial e branca brasileira. Precisaremos criar mecanismos de diálogos entre os nossos, dessa forma, compreendemos que o escracho público dos nossos não é dialogo é apenas escracho, e escracho é humilhação. Fica a pergunta é por meio de escracho público individual que vamos combater o machismo e suas violências?

Nós do kilombagem acreditamos que o feminismo deva seguir uma perspectiva da emancipação humana. Não acreditamos em um feminismo que desconsidera o racismo e a luta de classes e, portanto, não vemos como lutas inseparáveis.”

Organização Negra de Esquerda Kilombagem – Raça Classe e Gênero.

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  • Tito1fantasma

    Expor os nossos é dar munição ao inimigo, a esquerda partidária faz isso direto e a direita na hora de se unir se fortalecer!