Nota de apoio

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a militantes perseguidos e pela defesa de Rafael Braga Vieira!

 

Domado eu não vivo, eu não quero seu crime

Ver minha mãe jogar rosas

Sou cravo, vivi dentre os espinhos treinados com as pragas da horta

Pior que eu já morri tantas antes de você me encher de bala

Não marca, nossa alma sorri

Briga é resistir nesse campo de fardas”

Rico Dalasam

A estatística tem cor, tem classe social e endereço. Basta!

Basta de criminalização da pobreza e criminalização das lutas sociais!

Vocês sabiam que um estudante negro da Unicamp está sendo perseguido com uma suspensão de dois semestres porque estava defendendo cotas?i

E que um estudante negro universitário da UEMS (Mato Grosso do Sul) está sendo processado porque portava um mamão durante uma sessão Câmara Municipal de Paranaíba, no qual se posicionava contrário ao reajuste salarial que concedia aumento para o prefeito, ao vice, aos secretários municipais e vereadores? Além de ter sido agredido por 03 agentes de segurança pública do Estado ele agora está respondendo um processo por agredir 03 agentes em que cuja arma era uma fruta?

 

 

Pois é, com Rafael foi o desinfetante e com Welliton Lopesii foi por conta de um mamão. Um mamão!!!! A agressão que ele sofreu foi na última segunda-feira, 24, e ele estava com um grupo de pessoas que se manifestaram contra esse reajuste aprovado pelo Legislativo na semana passada. O universitário Wellington Aparecido Santos Lopes, de 20 anos, estudante de ciências sociais da Uems (Universidade Estadual de Mato Groso do Sul) acabou preso pela Polícia Militar após entrar na Casa de Leis com um mamão em suas mãos e “…dirigir-se aos vereadores em tom de ameaça” conforme noticiou a mídia local. Ele está em liberdade, mas está respondendo pelo processo injustamente.

São muitíssimos casos, elegemos alguns, dos quais sabemos o porque da invisibilidade, mas insistimos. Há diversos acontecendo por dia no Brasil, enquanto escrevia, soube de uma prisão arbitrária de um imigrante palestino que protestava na Paulista em um grupo de militantes contra um ato fascista da direita de cunho extremamente xenófobo. Hasan Zarif, que é liderança no movimento palestina para todos. Ele está sendo acompanhado juridicamente. Lutaremos por sua liberdade também. Mas há mais. Muito mais que não aparecem e quando aparecem na grande mídia é pra nos criminalizar.

O Mário de Andrade que aos 14 anos foi executado por um sargento reformado da PM de Recife? Tá sabendo? Já se passaram 09 meses desde o 25 de julho e o governador Paulo Câmera (PSB) não se pronunciou sobre essa execução até o momento desta publicação.

Durante a greve geral do último dia 28 de abril, 21 pessoas foram detidas em SP, mas há 03 que continuam presos. São eles; pedreiro Luciano Antonio Firmino, 41, o frentista Juraci Alves dos Santos, 57 anos, e o motorista Ricardo Rodrigues dos Santos, 35. A prisão preventiva foi decretada neste domingoiii

Conforme a petição em prol da defesa de Rafael Bragai, “Em janeiro deste ano, a caminho da padaria na favela onde morava, foi novamente preso a partir de um flagrante forjado, de acordo com testemunhas, e acusado de associação e tráfico de drogas, mesmo estando sob vigilância. Na calada da noite, às vésperas do feriado de 21 de abril, Rafael foi condenado a 11 anos de prisão.

A série de absurdos do caso de Rafael não param por aí: o juiz que o condenou levou em consideração apenas os depoimentos contraditórios dos policiais que o prenderam. Além disso, foi negado a ele o direito à ampla defesa: o juiz negou o pedido de acesso à câmera da viatura policial que o levou à delegacia e ao GPS da tornozeleira – provas que poderiam ter mudado o rumo do julgamento e comprovado sua inocência. A defesa de Rafael irá recorrer da decisão, por isso precisamos unir nossas forças e continuar a mobilização pela liberdade de Rafael e conseguir reverter essa injustiça” A segunda prisão arbitrária de Rafael Braga Vieira (que se encontrava preso há 2 anos, sendo o único preso nas manifestações de 2013, porque portava desinfetante!) e recentemente fora condenado há 11 anos de prisão. Até quando será crime ser negro no Brasil?

Esses casos só explicitam o papel das instituições como o judiciário e das polícias civil e militar atuam nessas terras tupinambás. Rafael teve a mochila implantada com cocaína e foi acusado de tráfico! Quer dizer que um jovem negro catador de recicláveis pode ser preso e ficarmos calados porque ninguém policia a polícia? Porque ele é pobre e ninguém se importa?

Se você conhece alguém que já foi forjado com drogas pela polícia, vamos convidar essas pessoas pra manifestarem sua indignação e solidariedade ao Rafael Braga porque eles são muitos, #SomostodosRafael. A guerra às drogas têm sido a melhor justificativa do encarceramento em massa no Brasil e temos denunciado essa justificativa enquanto tentativa de naturalização da política de genocídio onde forjar não pode continuar sendo uma prática das instituições de segurança pública e judiciário porque sabemos que não é coincidência.ii

Rafael não é o primeiro e exigimos que Hasan Zarif seja o último!

                         Os movimentos sociais não se intimidarão! A luta continua até que libertem nossos presos!

Exigimos justiça !!! Basta de racismo! Morte ao Fascismo!

Pela libertação imediata de Rafael Braga e aos militantes do MTST: Luciano, Juraci e Ricardo!

 

Ser preto não é crime! Lutar não é crime!
#LibertemRafaelBraga    #LibertemNossosPresosdaGreveGeral  #SOMOSTODOSWELLITON LOPES! #vidasnegrasimportam SIM! #SolidariedadeaosfamiliaresdeMariaEduarda #SolidariedadeafamíliadeJoãoVictor

#ubuntu #contraogenocídionegroeindigena #contraasreformassangrentasdetemer

Link do evento: https://www.facebook.com/events/156199361580725/?ti=cl

iSeja defensor de Rafael Braga Vieira: http://www.liberdadepararafael.meurio.org.br/

iiQuem policia a polícia? http://ponte.cartacapital.com.br/bancada-da-bala-faz-lobby-pelo-projeto-que-permite-governador-demitir-ouvidor-das-policias/

Ato simultâneo ao ato no Rio de Janeiro, via página Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira (no facebook)

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Atua na coordenadoria da igualdade racial da prefeitura de Mauá, Graduada em Serviço Social pela Faculdade Mauá- FAMA. É integrante do grupo Kilombagem desde 2007. Realiza ações de combate ao racismo e machismo além de prestar consultoria à partir da temática de Gênero e é mc, já foi integrante da Banda Amandla e fundadora do Coletivo de Mulheres Mcs (Coletivo Mahins) e participações com Ba kimbuta, no álbum UPP. Atualmente integra o grupo de rap Clã dos Incardidus. Conhecida como Katiara ou Iara, é moradora da cidade de Mauá e é militante do movimento negro e hip hop desde 2006.