Parceria entre Buia Kalunga, Ba Kimbuta e DJ Crick utiliza a internet para lançamento de videoclipe

Está disponível na internet desde a segunda-feira (02/11) o novo videoclipe do músico e ativista Buia Kalunga, em parceria com Ba Kimbuta e DJ Crick. Intitulada A Cena, a música que rendeu a produção faz parte do projeto solo de Buia, que já conta com nove faixas e está em fase de gravação.

O lançamento virtual, realizado no Dia de Finados, não foi à toa, mas como uma referência às vítimas da violência do Estado brasileiro, que assola principalmente jovens negros na periferia.

 

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O primeiro álbum solo de Buia apresenta faixas que trazem forte influência do rap e da música jamaicana, vertente que o artista trabalha em outros projetos, como o grupo Makomba, no qual atua ao lado de um importante parceiro, Ba Kimbuta; e a banda Ba-Boom. Além dessas bandas, o músico também toca na Escola de Samba Palmares de Santo André. Em meio a tantos trabalhos coletivos, é na atuação solo que surge a oportunidade para o trabalho autoral e a expressão de sua inquietude social.

Buia Kalunga é educador e leciona música e literatura na Fundação Casa. Transitando em diversos meios seja através da educação ou da música, a constatação que surge é que a arte é um instrumento fortíssimo de contestação da realidade e suas desigualdades. É isso que inspira as criações de Buia. “Minhas músicas são muito íntimas, falam sobre conflitos internos, mas não só meus, escrevo sobre conflitos da vida urbana: o trânsito, o trabalho, as desigualdades.”

Mesmo diante de temas pesados, o artista acredita que a arte é capaz de trazer leveza. “ A arte tem o poder de nos tornar melhores. Não acredito na arte pela arte, ela é capaz de promover transformação social”, disse Buia, ao acrescentar que a música, sozinha nada pode. “A música tem um potencial revolucionário muito forte, ela expõe realidades, mas a única maneira de transformá-las é com organização e políticas públicas.” E quanto a isso, Buia atua nas duas frentes, música e organização, já que é membro do Kilombagem, coletivo dedicado a debater raça, gênero e classe social. “Não vamos acabar com o racismo enquanto existir capitalismo, são coisas interligadas”, crê.

Vídeo tem brutalidade encenada e real

O clipe de A Cena foi gravado parte em Santo André, parte em São Bernardo. “Algumas casas da minha rua foram desapropriadas por causa das obras do Rodoanel, tiraram os moradores de lá e só ficaram escombros. Esse cenário tem a ver com música.” A produção apresenta referências de cinema, mas é tudo real.

“Assistimos a violência como se fosse um espetáculo, mas a vida não é ficção, tudo é muito banalizado”, afirmou Buia, ao atribuir parte desta banalização à mídia. “A linguagem cinematográfica ficou por conta do Patick Monteiro, e fotografia de Ana Clara Marques e Gisele Gonçalves, e da produtora Gata Preta Produções. Foram usados efeitos futuristas e cenas de violência policial.”

Por: Marina Bastos (marina@abcdmaior.com.br)

Post original; http://www.abcdmaior.com.br/materias/cultura/sem-ficcao-clipe-traz-a-violencia-do-estado

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