Daqui a pouco esqueço tudo
Meu sorriso mudo
Teus olhinhos imensos
Meus lábios intensos
Nos teus doces carnudos

Vadio e detento
Atirando a esmo
Volto a ser eu mesmo
Pois agora sou você
Morando aqui dentro

Daqui a pouco o que feria
É o que é, não o que eu queria
Volta a doer
A cura que trouxer
Nas curvas de mulher
Nos olhos de guria
Esse bom
Tem a velha mania
De se perder

Desvairado e bandido
Ferido e perdido
Me matando e desamando
Volto ser eu mesmo
Pois agora sou você
A pro-cura do amor
Me achando

Daqui a pouco e conto as horas
Porque nada é eterno tem prazo
Essa coisa boa que me causa
Que tu diz que é belezura do acaso

Se finda

A tristeza é bem vinda
Brindam em mim desilusão e saudade
Um surdo seco um samba sem nexo
Volto ser eu mesmo
Pois agora sou você
Tamborilando em mim felicidade

Daqui a pouco a desvendar
O mistério profundo da paixão
Tiro minha alma do alto-mar
O mar profundo de teu coração
Fujo. Sem paz
Meu barco volta ao cais
O marujo na contenção

Bêbado remo caminho duro
Me afogando em ilusão
Volto ser eu mesmo
Pois agora sou você
Meu porto mais seguro

Daqui a pouco nesses becos
E na boca de tua noite
Garoto maroto me perco
Sem fazer alarde
Pois agora sou com fé
Pedindo a Olorum
Que esse daqui a pouco
Atrase e seja só mais tarde