O GT Africanidades surgiu inicialmente como Núcleo de Pesquisa e Educação para as Relações Raciais, em fevereiro de 2011, criado por alguns membros do Grupo Kilombagem, com a participação de outros interessados na promoção de produções teóricas e difusão de conhecimentos referentes à educação das relações raciais visando contribuir para implementação da lei 10.639/03.  No final de 2011, o núcleo e o Kilombagem passaram a ser uma mesma organização com a divisão em três grupos de trabalho, a saber: Trabalho, Arte e Africanidades.

O GT Africanidades, ainda como núcleo de pesquisa do Kilombagem, realizou de maio a agosto de 2011 um curso de formação e capacitação de educadores sociais para a implementação da Lei 10.639/03, com aula inaugural no auditório da Câmara Municipal e mais 14 aulas na Escola Estadual Dr. Américo Brasiliense, ambos no centro de Santo André. Este curso contou com participação de estudantes, professores, militantes, trabalhadores de diferentes áreas e foi ministrado por integrantes do núcleo e alguns professores convidados, trazendo como principais discussões, História Geral da África e do negro no Brasil, a contribuição dos africanos para o desenvolvimento humano universal, racismo, colonialismo e neocolonialismo; as lutas negras no continente africano e na diáspora, cultura negra e resistência social.

O movimento negro tem contribuído para a reflexão sobre as desigualdades raciais no país. O sistema público de ensino por sua vez é apontado como espaço de reprodução destas desigualdades quando se abstém em mergulhar nesta temática, contribuindo para a invisibilidade da cultura negra, da sua contribuição para o processo civilizatório culminando na naturalização do racismo existente. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais (IBGE, 2010), a disparidade entre negros e brancos nos comprova que o racismo produz consequências perversas no que tange à educação, o que se reflete também no mercado de trabalho, na renda e em outros indicadores sociais.

Neste ínterim, a lei federal 10.639/2003 tornou obrigatório, no Ensino Fundamental e Médio, o ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas, no entanto, o pequeno espaço destinado a este tema nos círculos acadêmicos inviabiliza sua implementação mesmo passados 9 anos de sua assinatura. Os poucos professores que se apresentam sensibilizados não contam com respaldo institucional para abordarem o tema. Outra dificuldade que o GT identifica é a falta ou o pouco interesse das instituições acadêmicas em capacitar os novos profissionais, e principalmente apoiar pesquisas que tenham como foco as relações raciais.

O resultado disto é que o sistema público de educação, salvo raras e heroicas iniciativas isoladas, ainda está imune às prerrogativas de uma lei criada com o intuito de promover uma educação não racista e inclusiva. O sistema público de ensino ainda segue reproduzindo os mais diversos preconceitos e confusões epistemológicas criadas no contexto da colonização.

Neste itinerário, assumimos a tarefa de potencializarmo-nos individualmente e enquanto grupo para o enfrentamento desta conjuntura, a partir de nossa inserção em espaços considerados estratégicos, como o acadêmico, articulando iniciativas políticas e de apoio ao combate do racismo.

Para este ano de 2012, temos como meta a socialização dos projetos de pesquisa individuais, um ciclo formativo, com os eixos temáticos: África e Africanidade, Racismo e Capitalismo, Cultura Negra e Resistência e Educação e Africanidades e será discutida uma estratégia de devolutiva do curso oferecido em 2011.